sexta-feira, 26 de junho de 2009

As Horas!


A pouco acabo de assistir (pela décima nona vez diga-se de passagem rsrsrsrs!) o filme as horas, ainda me emociono com a sensibilidade e sofrimento que Virginia Woolf expressa em suas percepções sobre o solavanco e temeroso senso crítico das relações humanas.
Não é incomum nos depararmos com as mesmas sensações e vontades em nossa rotina, às vezes quando todos olham para nós e nos vêem sorridentes e alegres não percebem que estamos disfarçados em meio à tristeza e insatisfação das circunstâncias traumáticas.
Valorizo a vida com a ausência dela, é engraçado, mas casual imaginar o que foi de bom somente quando não se tem mais àquilo! Ou pior ainda e perceber que tudo que temos não é o que realmente queremos ter!
Vivemos entre estes dois mundos, o da insatisfação e o da saudade, do que realmente foi, e do que você queria que tivesse sido, às vezes, nos encontramos em meio as moscas, desnorteados e sem um rumo certo, tentamos demonstrar imensas fortalezas e grandes defesas e esquecemos de demonstrar nossas fragilidades para que possam nos ajudar!
Nossas escolhas são pautadas sobre conceitos incertos em razão dos demais que nos cercam, levar uma vida não convencional estabelecida pelos primórdios contemporâneos da sociedade, onde espera-se muito mais de nós do que realmente somos capazes de conceder.
Frustrações alheias ou conquistas a parte! Acumulamos através do tempo e da vivência de forma inesperada, grandes mágoas e incertezas, tentamos justificar a todos que estamos bem e somos felizes desta ou daquela forma, mas pouco provável ou crédulo os demais julguem sua forma existencial como correta ou realmente confortável o suficiente para se julgar feliz!
Nesse ponto, onde o julgamento entra é que podemos dizer que a pulga atrás da orelha começa a coçar, e ai que sua certeza sobre o mundo vai por água abaixo! Os mais radicais dizem em discursos firmes e orgulhosos que pouco se importam com o que os demais pensam, mas seria uma utopia afirmar que somos donos da verdade e podemos levar a vida da forma que queremos.
Até podemos, mas até onde somos bons o suficiente para perceber que estamos desrespeitando o espaço do outro em prol da felicidade nossa? Olha, é difícil responder! Também acredito nessa história que para se levar uma vida plena e feliz não temos que nos importar com o que os outros pensam, mas também acho que devemos ouvir, vejam bem, ouvir e não seguir, os que se importam conosco pensam! Refletimos e depois tomemos nossa decisão.
Triste é levar a vida de forma hedonista e viver a sombra do que fomos aos sessenta anos de idade, sendo que poderíamos ser muito mais do que aquilo, pois não nos preocupamos em realizar nossas verdadeiras vontades e não nos preocupamos com que os outros pensam.
Ser feliz é um objetivo comum, se não descobrimos o caminho para alcançar este objetivo acabamos por praxe mortos que respiram! Como no próprio filme diz, não se pode ser feliz evitando a vida! Valorizamos demasiadamente o que não temos e sempre buscamos o que não podemos!
Enfrentamos as horas antes do amanhã e as horas depois do amanhã, sem saber que horas realmente são! E assim vamos vivendo e satisfazendo aqueles que ainda vivem por nós!

Um comentário:

  1. Eu não gosto do filme!!!! Mas gostei do que escreveu....

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